O Anuário do Executivo Brasil 2026 traz uma análise detalhada da máquina pública federal, composta por um presidente, 39 ministros e 580 mil servidores, que administra um orçamento de 5,741 trilhões de reais, representando 98 % do orçamento da União em 2025. O objetivo do documento é mapear quem são os responsáveis, onde atuam e como exercem suas funções, com foco nos setores que mais impactam o setor produtivo.
Na esfera da arrecadação, o destaque vai para a Receita Federal, que, graças a tecnologias avançadas de cruzamento de dados, registrou 234 bilhões de reais em autuações tributárias em 2024, contribuindo para a melhor performance histórica de arrecadação em 2025, quando atingiu 2,89 trilhões de reais, 32,32 % do PIB. Em 2025 a carga tributária tende a ultrapassar 34 % do PIB, refletindo um cenário de alta tributação.
O gasto público, por sua vez, foi executado em 5,87 trilhões de reais em 2025. Mais da metade desse valor, 3,42 trilhões de reais, foi destinada ao refinanciamento e amortização da dívida pública, em um contexto de juros de 15 % ao ano. As despesas primárias somaram 2,41 trilhões de reais, dos quais 1 trilhão foi para aposentadorias, 280 bilhões para assistência social, 245 bilhões para saúde e 226 bilhões para educação. Os investimentos totais foram apenas 112 bilhões de reais, correspondendo a 1,9 % do total de gastos, o que evidencia a baixa capacidade de investimento do Estado.
Para compensar a escassez de recursos, a administração pública tem recorrido à privatização e à concessão de serviços. Desde a década de 1990, empresas estatais como Vale, CSN, Embraer, Aracruz Celulose e a petroquímica Copene foram vendidas ou colocadas em regime de concessão. O modelo de concessão, que inclui telefonia, energia elétrica, água e esgoto, rodovias, portos e aeroportos, tem transformado a infraestrutura do país, mas também deslocou a responsabilidade de investimento para o setor privado, que agora responde por 75 % do investimento em infraestrutura, enquanto o setor público contribui com apenas 45 bilhões de reais.
Com a retirada de funções empresariais, o Estado passou a ser um regulador. Foram criadas agências reguladoras com autonomia técnica e política para garantir modicidade tarifária, continuidade e qualidade do serviço e universalização. No entanto, o modelo enfrenta desafios como a captura regulatória e a politização dos processos de indicação de diretores. Apesar dessas dificuldades, o sistema de regulação tem sido bem avaliado por investidores estrangeiros, que reconhecem a importância da proteção contratual como mitigadora do risco país.
O orçamento federal também destina 6,7 % do total, cerca de 398,5 bilhões de reais, ao pagamento de salários. Essa despesa