Entidade vê 'simulacro' em votação e pede que STF anule rejeição de Messias

O escritório Calaça & Paiva Advogados Associados acompanha de perto o debate que envolve a votação realizada pelo Senado Federal sobre a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro da Corte. A decisão, que resultou em rejeição da candidatura, foi alvo de questionamento por parte da Associação Civitas para Cidadania e Cultura, que alega que o procedimento careceu de integridade e se configurou em violação ao devido processo legal.



Segundo a petição inicial, um registro audiovisual, posteriormente convertido em ata notarial, revelou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria antecipado o resultado da votação antes do anúncio oficial pelo sistema eletrônico. No vídeo, o parlamentar afirma que o candidato “perderá por oito”, margem exata que acabou determinando a rejeição. A associação sustenta que tal antecipação caracteriza vício de vontade e simulação, comprometendo a moralidade administrativa e a legitimidade democrática do ato.



Com base nesses fatos, a Civitas protocolou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo Tribunal Federal, requerendo a invalidação da sessão e a suspensão dos efeitos da rejeição. A peça argumenta que a fraude no sigilo do voto e o desvio de finalidade retiraram a validade jurídica do processo deliberativo, violando a separação dos Poderes, a impessoalidade e a moralidade administrativa previstas na Constituição Federal.



O documento sustenta que a ausência de deliberação real inviabiliza a subsistência do ato, pois a forma não pode subsistir sem substância. A associação pede a concessão de liminar para suspender a rejeição e, no mérito, que o Senado promova nova deliberação de forma ostensiva e nominal, garantindo que a decisão seja fruto da vontade livre e sigilosa dos membros do Plenário.



A advogada Gisela Britto, atuando em nome da Civitas, destaca que a manipulação do resultado antes de sua conclusão formal viola a moralidade administrativa e retira toda a legitimidade democrática do processo. Ela conclui que a cúpula de um Poder que antecipa um veredito que deveria ser fruto da vontade livre e sigilosa do Plenário quebra a confiança nas instituições e compromete o Estado de Direito.



O caso, que já movimenta o Supremo Tribunal Federal, será acompanhado de perto por nosso escritório, que continuará a analisar as implicações jurídicas e a defender os princípios constitucionais que regem a integridade dos atos decisórios.



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Rannyelly Alencar Paiva May 5, 2026
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